O vampiro para mim é uma forma de expressão cultural pop.
Explico. De tempos em tempos, a sociedade se adapta a diferentes formas de pensamentos, que geralmente são abandonadas pela próxima geração. Na verdade não são abandonadas, são reinventadas.
Não há figura lendária maior que se adapte as gerações; os Lobisomens continuam o mesmo, os zumbis continuam os mesmos (mortos, rá), já os vampiros... Vivem em uma metamorfose ambulante. Passaram de morcegos vivos, a vegetarianos que brilham a luz solar. Vamos lá.
Um clássico do cinema, ainda mudo, Nosferatu, a primeira adaptação vampiresca do cinema, era um ser temeroso. Que ao invéis de apresentar o tão famoso charme que foi aderido a essência dos vampiros, ele era um monstro. A sinopse do filme não demonstra sequer a boa aparência do vampiro: ele tem orelhas longas, olhos profundo e arregalados, e a atuação de Max Schreck nesse filme fez diversas pessoas da época acreditarem que ele era, de fato, um vampiro.

Nosferatu ainda foi retratado tempos depois em mais um filme, em 1979 mas, mesmo sendo uma homenagem, não teve nem metade do brilho que tivera em outrora. Claro, por estar deslocado no cenário de horror da época, que inclua Sexta-Feira 13 que daria sequências clichês em filmes de terror terror até hoje.
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Nosferatu ainda representava a visão sobre as retratações sobre personagens lendários que se derivavam de livros de grandes sucessos na época, e que até hoje são. Cultura pop que foi sequeciada por Frankenstein, Múmia, Lobisomen, e... Drácula.
Não muito depois de Nosferatu (1922), Drácula (1931) foi lançado pela Universal, o pouco tempo entre os dois filmes não se reflete ao cinema, que deu seu maior salto até hoje: A fala.

Garotas que começavam a gostar de garotos, naquela época, tinham como sonho de consumo homens mais velhos, com classe e gostos refinados. Charme é o ponto alto desse Drácula interpretado por Béla Lugosi, que na minha opinião não se esforçou muito para o papel; Seu rosto é característico do personagem, só adicionaram a capa e um par de caninos amigavéis a um ótimo ator.
Talvez seja daí que o vampiro se caracterizou por definitivo, não mudando até os tempos atuais.
O romantismo é sempre envolto do ser vampiresco. Há quem goste, há quem odeie.
Em Drácula, o sexy appeal do personagem é focado na cultura da época de como um homem deve ser para ser charmoso e atraente. Vampiros acima de tudo são pops, e não há duvidas nisso.
Nosferatu foi re-filmado, assim como Drácula e outras produções vampirescas, talvez parando no último de certa qualidade e reconhecimento (não me venham falar de Drácula 2000 ou Blade) "Entrevista com Vampiro" que apesar de ser conhecido, não marcou época no cinema com Brad Pitt comendo seus ratinhos inocentemente.
E em 2008...
BOOOOOM! Eles voltaram com a força toda com a saga "Crepúsculo".
Pra começar de tudo eu não irei defender o conjunto da obra Stephenie Meyer, apenas rebater as críticas e dizer que a lenda do vampiro, que se origina a muitos anos atrás com vários conceitos do tipo "não tomar sol" "virar morcego" e dentre tantos outros, se tornou um personagem não exato. Se adaptando de conceitos pops da época, pode-se dizer que cada época tem o vampiro que merece.
Não sei se a Meyer teve esse tamanho emprendedorismo de lançar a série conjunta com o filme na época certa, ou escreveu apenas por inspiração. Isso ninguém sabe. "Ninguém", leia-se "só os produtores com bom olho".
Vampire Diaries e várias outras tiradas de livros sobre vampiros e a nova forma de retrata-los hoje em dia é imensa. Na Livraria Saraiva por exemplo, tem uma bancada enorme só com títulos sobre vampiros atuais.

Crepúsculo tem vampiros bonitinhos, que brilham no sol e aparentemente nunca fizeram a barba na vida, ou seja, padrão de beleza adolescente atual. E como os vampiros, o público pop também rejuvenesceu.
Há romance e todos os outros elementos adicionados para se fazer uma história típica de vampiro.
Posso afirmar que o livro vende pra caramba. Em uma tarde em que passei em uma livraria, ví várias e várias pilhas do livro desaparecendo. De todas as idades, etnias e qualquer outra desambiguação. Vampiro é a forma de cultura pop mais pop mais explicítas de todas e não vai morrer tão cedo.